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  • Writer's pictureGabriel Toueg

Roberto Godoy, jornalista especializado em Defesa (1949-2024)

Updated: Apr 8

A notícia da morte do querido Roberto Godoy, ontem, bateu forte. Fomos colegas de Estadão na minha breve passagem por lá, entre início de 2011 e fim de 2012. E lá, com ele, aprendi que é possível, embora definitivamente não seja a regra nas grandes redações, ser um cara foda como o Godoy e ainda assim ter respeito por todos — e, por isso, de todos.


Roberto Godoy
Retratos funcionais de Godoy nos anos 1980 (foto: Acervo Estadão)

Não foram poucas as vezes em que puxei uma cadeira perdida numa das baias próximas à mesa dele para puxar papo naquela esquina de corredor, perto do cafezinho, onde muitos se reuniam para fofocar e conspirar contra chefes e colegas. Ele adorava conversar.


Roberto Godoy sabia muito e em detalhes assustadores sobre assuntos que eu gosto de acompanhar: Defesa, guerras, conflitos, exércitos, armamentos — se especializou em temas que poucos conhecem no Brasil. Certamente foi deles o maior conhecedor.


Editor de internacional que eu era, do portal, sempre me interessei em ouvir suas análises e ideias. Sempre recorria a ele quando precisava entender algo sobre determinada arma usada por algum exército para promover ou se defender em alguma guerra.


Antes mesmo de trabalhar no Estadão, conversei com ele para não errar numa série da Superinteressante sobre conflitos ao redor do mundo. Ele não era só autor de textos sobre os temas que conhecia como poucos, mas fonte sempre disponível para ajudar outros jornalistas, sem vaidades.



“A liberdade de imprensa é, ainda, o maior dos prêmios que o jornalista pode ganhar” — Roberto Godoy, 1971*

Mas eu gostava mesmo era de bater papo solto com ele: a aspereza do assunto em que ele se especializou contrastava com sua gentileza e amabilidade em cada palavra. Era um barato conversar com o Godoy: ele conhecia de muita coisa e tinha vontade verdadeira de dividir esse conhecimento — algo que falta à maioria dos jornalistas em grandes jornais.


Grande Godoy, fará muita falta.


Do Portal Tecnologia & Defesa, que se refere a Godoy como "um mestre": "Nos anos 1980, milhares de leitores que não tinham acesso a mídias especializadas só conseguiam acompanhar o que acontecia no mundo militar graças às reportagens do Roberto Godoy, feitas sempre com seriedade e respeito de quem se interessava pelo assunto".


(*) A frase de Godoy, como relatam Roberto Gazzi e Roberto Bascchera no bonito obituário publicado no Estadão, foi dita por ele na entrega do Esso, maior prêmio do jornalismo brasileiro, que ele ganhara naquele ano. "Era o tempo da censura de imprensa decretada pelo AI-5 anos antes".

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